Qual seria a SEGUNDA propriedade mais importante da krigagem?
Qual seria a SEGUNDA propriedade mais importante da krigagem?
a) variância mínima
b) o fato de usar o variograma
c) não viés - soma dos pesos igual a 1
d) um modelo de não-estacionariedade embutido
A SEGUNDA propriedade mais importante da krigagem é dispor de um modelo de não-estacionariedade embutido. Na verdade quem possui isto é a krigagem ordinária (KO).
A KO na verdade é o seguinte … é como se primeiro estimasse a média local por krigagem. E depois a krigagem do ponto. Essa estimativa da média local é um prático modelo de “adaptação local” ou de considerar a não estacionariedade (isso salva a maioria dos “geoestatísticos” que se sentem mal com a não estacionariedade).


A velha média e o falso dilema
Quando nos apegamos demais a estatística corremos o risco de abandonar o bom senso, seja da geofísica, seja da geologia e etc.
Veja a figura seguinte:
Foram feitos 3 poços (ou sondagens) e somente uma deu positivo (a).
Calcule
a mediana
a moda
a média
Salvo engano teremos: mediana=moda=0 e a média=x3/3.
Se basearmos nosso relatório somente na estatística poderemos perder o emprego. Mas por incrível que pareça há quem prefira a mediana porque é mais “robusta”, ou seja não é influênciada pelos outliers.
Isso parece prefeito do interior de uma cidade no alto de um morro: prometo resolver o problema de água … e o vereador querendo avisá-lo, sussurra ‘prefeito, a lei da gravidade’, e o prefeito atento adenda em seu discurso … nós revogamos! - propriedades do modelo estatístico não podem ser confundidas com propriedades do modelo geológico. Já dizia Falcão: modelo é modelo!
Vamos ponderar 2?
Agora vamos calcular a média dos teores na situação seguinte:

Por bom senso, não podemos ir direto fazendo a média aritmética. O suporte onde é definido os teores não é o mesmo, portanto não podemos usar a média aritmética. Sabe-se disso desde do tempo do Georgius Agricola.
Vamos ponderar?
Primeiro: você é ponderado? Se você pondera sempre do mesmo jeito você é bitolado. De qualquer forma vamos em frente.
Seja a seguinte situação: calcular a média da seguinte sondagem.

E aí, qual é a sua média? Em geral a média ponderada é mais aceitável pelos bitolados em bom senso.
Qual seria o histograma? A ou B?

Qual é a propriedade mais importante da Krigagem?
Seria
a) variância mínima
b) o fato de usar o variograma
c) não viés - soma dos pesos igual a 1
d) a desclusterização
A propriedade mais importante da krigagem é a desclusterização! A krigagem por si só já dispõe de um “desclusterizador” e isso, na prática, é uma propriedade importante. Os outros itens não são relevantes. A variância de krigagem nada mais é do que um indice indicador de como as amostras estão localizadas ao redor do ponto a estimar.
Veja o exemplo:
O IQD forneceria o peso 1/3 pra cada amostra. A krigagem, com modelo esférico a=100m, desclusteriza os dois pontos próximos, onde seria 0,67, fica sendo 0,54. Parece pequena a diferença, não é? Mas o “teor” do ponto 1 é alto comparado com os demais. Veja a diferença no estimador: a krigagem fornece 34,6 e o IQD 39! E aí? É minério ou estéril? Esta poluído ou não?


O que é mais importante no (ajuste) do variograma?
a) efeito de pepita
b) o patamar
c) a amplitude
d) o comportamento na origem
O mais importante é o comportamento na origem!
Os modelos esférico e exponencial apresentam comportamento linear na origem.
A parte mais usada do variograma é exatamente seu comportamento na origem.
Qual o variograma “default” da geoestatística?
DICA: não é o mais frequente!
a) esférico
b) exponencial
c) linear
d) gaussiano
e) pepita
e aí, o que responder?
Porque o esférico é tão frequente? Isso não uma resposta, é outra pergunta, de qualquer modo a resposta é:
Na era pré computador o ajuste era feito à mão! E devido a propriedade do modelo esférico: a tangente na origem corta o patamar a 2/3 da amplitude - ficava fácil de “ajustar a mão”. Veja a figura

Com essa “técnica” pré-histórica eramos forçados a usar o esférico. Desse modo tinhamos a amplitude
o patamar e,de lambuja, o efeito de pepita.
Passava-se a régua nos dois ou três primeiros pontos, traçava-se a tangente até a variância a priori descia-se até o eixo H e tinha os 2/3 de a.
Claro tinha os fiascos: teve gente com efeito de pepita negativo!
E foi assim que, depois que a micro computação chegou, todo mundo continuou a “ajustar” o esférico.
Outra propriedade importante do esférico: até 1/3 da amplitude “a“ a diferença para o modelo linear é desprezível (<4%).
E daí? Daí que pra todos aqueles que NUNCA usaram o modelo linear, toda vez que as vizinhança apresentar vários pontos próximos entre si, até 1/3 da amplitude, você estará usando o variograma linear. E isso ocorre na prática? Sempre que voce tiver amostras de controle de lavra isso provavelmente estará ocorrendo.
O variograma default da geostatística é o variograma linear.
Geoestatística simples
A geoestatística é uma técnica conhecida como simples. Principalmente nos dias de hoje, por termos acesso aos cálculos matriciais que antigamente nos atazanavam.
Os dados também conhecidos como amostras e as vezes como testemunhos(!) são importantes no processo. Aliás tão importante que o melhor método de estimativa ainda é a sondagem. Afinal de contas modelo é modelo, homem é o homem e menino é menino, já dizia Falcão!
Não obstante o simples não é tão acessível.
Vejamos por meio de um exemplo. Examine as três figuras que se seguem.


Veja agora o mapa krigado resultante dos dados e do variograma ajustado.

Observe as curvas de níveis - estão razoavelmente alinhadas segundo as direções 135 e 45 graus. Indicando uma continuidade maior ao longo da direção 135 e até uma leve deriva na direção 45.
Simples, os dados testemunham que o variograma deveria ter sido feito nas direções das curvas de níveis.
Geoestatística não é só variografia e krigagem, é, antes de tudo, bom senso!
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